Casco dos equinos precisa de atenção

Saúde dos membros garante equilíbrio e rendimento

  • PAULA MAGALHÃES
  • 01/12/2018
  • 16h23

Sustentar e equilibrar o corpo. Essas sãos as funções mais importantes dos membros (pés e mãos). Por isso, eles devem receber atenção e cuidados especiais. No caso dos Equinos, além de garantir bem-estar, membros saudáveis também são pré-requisito para o bom desempenho durante suas atividades, desde uma simples cavalgada até alguma competição com maior desgaste físico. Apesar da aparência rústica, os membros dos cavalos são bastante sensíveis e podem sofrer com algumas avarias, causadas pelo aparecimento de doenças, falta de cuidados em seu dia a dia ou por lesões.

Compostos por um conjunto de ossos, falange, vasos sanguíneos, estojos córneos, ligamentos, e outras terminações, os membros dos equinos são envolvidos pelos cascos, uma camada rígida, preparada para suportar o peso e proteger toda a parte interna, funcionando como um escudo. Em sua estrutura química os cascos são formados por micromineirais e água. Na estrutura física, a parte superior do casco é formada por uma parede delicada, composta principalmente por água. Conforme se aproxima da extremidade (parte em contato com o chão), essa parede perde água e se remodela ganhando densidade e elasticidade, condições que conferem resistência e capacidade de absorção dos movimentos. Tração, esporte, cavalgadas, cada atividade exige dos membros um determinado grau de esforço.

 

 

Para manter a saúde dos cascos, uma das principais medidas é o fornecimento de boa alimentação. O médico veterinário, Luiz Gustavo Tenório, instrutor em Podologia da Escola do cavalo defende uma boa alimentação e critica o uso abusivo de suplementos, “O cavalo necessita de ração de boa qualidade, bom volumoso, alimentação correta. Ele precisa de suplemento somete quando houver deficiência de algum nutriente ou quando o esforço for maior que o normal, precisamos fazer o manejo correto da alimentação e dos cuidados, suplemento é apenas um auxiliar.” afirma.

O especialista também alerta para as consequências do desequilíbrio nutricional, “A carência nutricional vai interferir diretamente nos cascos provocando deficiência de crescimento, má formação de um novo casco, fragilidade do estojo córneo (muralhas quebradiças) ou o aparecimento de linhas de depressão ligadas ao excesso de carboidratos, problema que pode, inclusive, levar ao surgimento da lamimite (em breve especial sobre), que é uma doença provocadora de grandes prejuízos.”, enfatiza Luiz Gustavo.

Atenção ao período de chuvas

Nos períodos chuvosos, a manutenção dos cascos se faz ainda mais necessária. Os criadores devem evitar que os animais permaneçam por longos períodos em áreas alagadas, já que o excesso de umidade fragiliza as paredes e propicia o aparecimento de infecções fúngicas e bacterianas. Para Luiz Gustavo, a utilização de selantes deveria ser um hábito entre os criadores, “Uma ou duas vezes por semana, quando soltar os animais nos piquetes passar os selantes para o casco, esses produtos são a base de cera, como parafina e isolam o casco do excesso de umidade. Eles devem ser aplicados apenas na muralha e na sola, não se aplica na banda coronária ou na ranilha”, informa.

O profissional enfatiza que, ambientes úmidos são propícios para o surgimento de infecções nas ranilhas, que devem estar sempre limpas, pois o excesso de umidade, acúmulo de impurezas (lamas, fezes, restos de alimentos e etc.) e a falta de higienização levam ao aparecimento de microrganismos e consequentemente, ao amolecimento, inflamação, mau cheiro e até o apodrecimento. Para os animais estabulados, o criadores e tratadores devem ficar ainda mais atentos em relação à higienização das baias, camas sempre limpas e secas, bem como a limpeza diária dos sulcos da ranilha e casqueamento adequado.

Enfermidades trazem desconforto e preocupação

Popularmente chamada de Aguamento, a Laminite é um dos mais graves problemas a atacar os equinos e ocorre quando a circulação do sangue nos membros é insuficiente levando à inflamação dos cascos, causando, além de muita dor para o animal, a perda de partes do casco ou outros danos ainda mais severos e irreversíveis. Para prevenir e tratar a laminite é muito importante dar atenção à alimentação fornecida ao animal, já que o desequilíbrio nutricional é uma de suas principais causas. 

No caso das rachaduras, o principal motivador é a exposição frequente a superfícies agressivas ao casco (concreto, pedras, asfalto), podendo ocasionar prejuízos irreparáveis. O Sapinho é uma infecção bacteriana causada principalmente por umidade excessiva no habitat dos animais, portanto precisa de atenção especial nas estações chuvosas. Já os cascos secos são frágeis, e facilitam o aparecimento de rachaduras.

Cuidados devem ser rotina

Manutenção adequada auxilia na conservação dos cascosTodos os envolvidos no manejo dos equinos, devem adotar procedimentos diários com as baias, mantendo o ambiente       limpo, seco, livre da presença de fungos, bactérias e objetos que possam ferir o animal. Também é essencial que eles   tenham o ferrageamento adequado. Segundo Antônio Silva Batista, ferrador e presidente do Núcleo dos Ferrageadores do Noroeste do Rio de Janeiro, a manutenção nos cascos deve respeitar a   anatomia de cada cavalo, “O bom ferrageamento respeita a estrutura anatômica de cada indivíduo. O ideal é que a   manutenção dos cascos seja feita em um intervalo médio quarenta dias, desde a juventude dos animais.”, afirma o   ferrador.  Antônio, também, salienta que é necessário observar o tipo de atividade desenvolvida pelo animal, “Temos que   levar em conta se é um animal de tração, de esporte, de cavalgada, se faz muita força, porque para cada tipo de esforço,     há uma abordagem e um tipo de ferradura.”, destaca.

 

Ambiente adequado, manutenção e limpeza da parte interna dos cascos, alimentação balanceada, baias limpas, cama macia e etc. Esses são alguns dos fatores que garantem a saúde dos membros e o bem-estar de um cavalo. Finalizamos o tema com uma dica do veterinário Luiz Gustavo, “Os criadores e cuidadores precisam conhecer suas propriedades, suas instalações e que principalmente conheçam seus animais, que entendam e saibam das necessidades do cavalo, que respeitem sua anatomia, capacidade e individualidade.”, conclui.